Pessoas derretendo ou o videoclipe na balada
Seletiva Grito Rock, Textos, Vídeos sábado, fevereiro 26, 2011
Dos momentos ápices de uma festa, gosto mais de observar quando boa parte das energias já escorreram, as pessoas estão meio ausentes, não conseguem ir embora, o copo já faz parte do figurino, o céu clareia e se mancha de roxo. Só os vencedores é que recebem o presente das nuvens, basta olhar para cima e contemplar, derreter. Because the sky is bluuueee....
Ainda antes do sol aparecer e logo após o último show da primeira noite da Seletiva Grito Rock Bauru, a discotecagem começou. Pós-punk. Rock altamente dançante. Cores e neons na semi-pista do Jack. Fui dar um rolê lá no fumódromo, encontrei uma musa (que faz stencil, serigrafia, curte cultura urbana, mas ganha a vida como bancária, charmosíssima, capoeirista), várias bitucas, bocas esfumaçadas e vários papos sobre música, sobre a noite. Atravessei o vidro de volta.
E a juventude estava lá. Nem todos exatamente. A balada claramente caminhava para o fim. Mas não para aquelas dez, doze, quinze pessoas que pareciam multidão, se divertiam, viviam a música intensamente na pele, transpirando todo o tabaco, álcool, rock e as notas musicais que ficaram impregnadas, como num videoclip real. Agora que a gente tem que ligar a câmera, cadê o Japa? - lançou no ar o João Guilherme. Olhei de novo e fui lá perto sentir, ameacei, mas precisaria da loucura de um ácido, estava cansado, a cena, porém era inédita, nunca antes na estória deste coletivo. Que benção, alternando a viagem entre as cores das luzes e a projeção no telão, com a discotecagem, mandavam dancinhas tortas, dancinhas derretidas, compassos de balé e de rock, air guitars e mais uma porção de cirandas e danças saborosas. O poder da música, power to the people. Fazia todo sentido agora, Jonh.
Data de postagem: sábado, fevereiro 26, 2011.